Os emplacamentos de autoveículos (174,5 mil) cresceram 31,4% sobre junho, mas caíram 28,4% em relação a julho de 2019, pior volume desde 2006. No resultado acumulado do ano, a queda mais dramática é na produção (48,3%), a mais baixa deste século, seguida pelas exportações (43,7%) e pelos licenciamentos (36,6%).

Considerando apenas os veículos leves, de janeiro a julho foram licenciados 928,6 mil unidades, queda de 37,4% em comparação ao mesmo período de 2019. Foram comercializados 772,0 mil automóveis (decréscimo de 38,8%) e 156,6 mil comerciais leves (redução de 29,7%).

A produção de veículos leves caiu 48,9% na mesma comparação, com 847,7 mil unidades. No acumulado do ano, foram fabricados 730,0 mil automóveis (queda de 49,8%) e 117,7 mil comerciais leves (redução de 41,9%).

“Além de um número maior de dias úteis, julho foi um mês no qual as montadoras e concessionárias fizeram um grande esforço para recompor o caixa prejudicado pela longa quarentena. Mas o ritmo de vendas diário foi apenas 20% superior ao de junho, o que demanda cautela na análise de como será a recuperação no segundo semestre”, disse o presidente da Anfavea, Luiz Carlos Moraes.

“Ainda temos uma pandemia que não deu trégua, com casos crescentes de covid-19 em Estados importantes. É como se estivéssemos numa estrada sinuosa e com forte neblina, com grande dificuldade de enxergar o horizonte com clareza.”

Redução de emissões de poluentes

O presidente da Anfavea também apresentou um resumo das ações do setor automotivo para reduzir as emissões de poluentes, que começaram há quase 40 anos, quando foi instituído o Programa de Controle da Poluição do Ar por Veículos Automotores (Proconve).

Desde então, as seis fases para veículos leves já reduziram radicalmente os níveis de emissões de poluentes: 95% para monóxido de carbono, 98% para hidrocarbonetos, 96% para óxidos de nitrogênio e 87% para aldeídos.

Medições feitas pela Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb) no ar das principais cidades de São Paulo, entre 2006 e 2018, apontam a redução pela metade da presença de todos esses gases poluentes veiculares. Isso ocorreu apesar de a frota de veículos no Estado ter crescido 66% no período e sem que houvesse a criação de programas consistentes de inspeção veicular ou estímulos à renovação da frota.

Diante da crise gerada pela maior pandemia dos últimos 100 anos, a Anfavea julga necessário adiar em dois ou três anos as próximas etapas do Proconve para veículos leves e pesados. Segundo a entidade, não é só por uma questão econômica, já que o setor vai perder quase 40% de sua receita neste ano, mas também por uma questão sanitária. Afinal, todos os testes de desenvolvimento foram prejudicados pela quarentena e continuam em ritmo lento para proteger os profissionais de laboratório e de campo que trabalham nesses projetos.

“Somos a favor das novas etapas de redução de emissões, cujo cronograma ajudamos a elaborar. Essa sugestão de breve adiamento não afeta nosso compromisso com o meio ambiente. Após todos os investimentos e esforços feitos desde a década de 1980, com resultados mensuráveis na ponta do escapamento e na qualidade do ar, chega a ser intelectualmente desonesto colocar o ônus da poluição das cidades nos veículos atualmente em produção, essencialmente limpos”, avaliou Moraes.