Foram licenciados em setembro 155,1 mil veículos, queda de 10,2% sobre agosto, com 172,8 mil unidades. É o pior resultado do setor desde junho de 2020, segundo a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea).

Quando analisado o acumulado do ano, a comercialização cresceu 14,8%, com 1,577 milhão este ano e 1,374 milhão em 2020. O dado foi impulsionado especialmente pelo segmento dos comerciais leves, que envolve picapes, furgões e vans.

Foram emplacados 314 mil comerciais leves, aumento de 38,8%, e 1,15 milhão de automóveis, o que representa uma subida de 7,6% na mesma comparação. Do total de veículos leves, foram licenciados 1,47 milhão de unidades, acréscimo de 13%.

Produção

Ao todo, 173,3 mil unidades foram produzidas no último mês, diminuição de 21,3% sobre as 220,2 mil de setembro do ano passado.

Nos nove meses já transcorridos do ano, a indústria fabricou 1,649 milhão de unidades, o que representa uma expansão de 24% em relação ao volume de 1,330 milhão do ano passado.

Apesar do número positivo no acumulado, o número ainda está bem aquém do desejado e esperado. O volume fabricado até setembro foi puxado em sua maioria pelos comerciais leves (+46,5%) e pelos caminhões (+103,7%).

No período, foram produzidos 1,24 milhão de automóveis, acréscimo de 16%.

Novas previsões

A Anfavea também divulgou as novas previsões para o fechamento do ano em licenciamento, produção e exportação de novos veículos.

A atual crise de fornecimento dos semicondutores tem impactado a fabricação de veículos no mundo todo. Calcula-se que a indústria automotiva global perderá de 7 a 9 milhões de veículos produzidos em 2021, retornando a níveis de 2020.

A falta de insumos, aliada ao aumento de custos e dificuldades logísticas, também tem afetado diretamente a produção do setor no Brasil, alertou a Anfavea.

Esse cenário fez com que a entidade precisasse revisar suas projeções para o ano. A dificuldade é grande, dadas as incertezas geradas pela crise dos semicondutores.

Com isso, a Anfavea trabalha com um intervalo de possibilidades para o ano, a depender do abastecimento para a produção de suas fábricas.

As vendas de novos veículos este ano podem variar de 2,038 milhões a 2,118 milhões, ou seja, com cenários de queda de 1% a crescimento de 3% na comparação com 2020.

A produção deverá variar entre 2,129 milhões e 2,219 milhões, o que representará um aumento de 6% a 10% quando comparado com o ano anterior.

“Nunca havíamos tido tanta dificuldade em enxergar o cenário em curto prazo na indústria automotiva. As incertezas para garantir a produção de veículos é grande com a crise de fornecimento global”, disse Luiz Carlos Moraes, presidente da Anfavea.

“Estamos presenciando uma procura por parte dos consumidores para compra de novos produtos, mas não temos unidades para atender à demanda”, explicou.