Os números do setor automotivo no fechamento de 2020 apresentaram quedas acentuadas, mas não tão drásticas como se projetava no início da pandemia, segundo os balanços divulgados pela Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) e pela Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave).

Para a Anfavea, o setor foi fortemente impactado pela pandemia, que interrompeu um ciclo de três anos de recuperação após a crise de 2015/2016. A grande injeção de recursos emergenciais na economia e a força do agronegócio ajudaram a amenizar as perdas do segundo trimestre, quando boa parte das fábricas e lojas permaneceram fechadas.

As vendas ao mercado interno fecharam com 2,05 milhões de unidades, queda de 26,2%, recuando ao patamar de 2016.

Considerando apenas os veículos leves, as vendas caíram 26,7% em 2020 e registraram 1,95 milhão de unidades licenciadas. Foram comercializados 1,61 milhão de automóveis (decréscimo de 28,6%) e 338 mil comerciais leves (recuo de 16,0%).

Ano acabou melhor do que o esperado, afirma Fenabrave

Em seu balanço final de 2020, a Fenabrave, apontou queda de 21,63% (3,16 milhões de unidades contra 4,03 milhões registradas em 2019), recuo inferior às projeções divulgadas pela entidade em julho, quando a expectativa era de que o mercado retrairia 35,8% em 2020. Em outubro, a previsão foi revisada para uma baixa de 25,3%, mas o ano acabou sendo um pouco melhor do que o esperado.

“Os principais fatores que influenciaram nessa melhora, principalmente, a partir do segundo semestre, foram a manutenção da taxa de juros, em um patamar baixo e o auxílio emergencial, oferecido pelo governo federal, que colaboraram para o aquecimento do comércio e para a baixa inadimplência. Com isso, melhorou a oferta de crédito, favorecendo a tomada de decisão para a aquisição de veículos”, explicou o presidente da Fenabrave, Alarico Assumpção Júnior.

Para ele, “o mercado só não foi melhor em função da crise enfrentada pelas montadoras, que tiveram problemas com falta de peças e componentes, além das regras para manter o distanciamento social nas unidades fabris”.

As vendas de automóveis e comerciais leves cresceram 8,66% em dezembro, totalizando 232 mil unidades licenciadas, contra as 214 mil unidades emplacadas, em novembro. Já com relação a dezembro de 2019, quando foram comercializadas 251 mil unidades, houve queda de 7,53%.

No acumulado de 2020, foram emplacadas 1,95 milhão de unidades contra 2,65 milhões no ano anterior, queda de 26,62%.

“Apesar de o último trimestre ter sido positivo e ter demonstrado uma forte reação dos segmentos, essa recuperação não foi suficiente para superar os resultados do último trimestre de 2019. Isso se deve, entre outros fatores, à falta de disponibilidade de automóveis e comerciais leves no mercado, causada pelo reflexo da pandemia, que retraiu a produção na indústria. Vale ressaltar que a oferta de crédito para os segmentos continua abundante e a demanda permanece aquecida”, destacou o presidente da Fenabrave.

Tombo na produção

Segundo dados da Anfavea, a produção de 209 mil unidades em dezembro foi uma boa surpresa, apesar de todos os desafios logísticos, das limitações de insumos e dos protocolos sanitários.

Somente entre os veículos leves, a produção total em 2020 foi de 1,90 milhão de unidades, queda de 32,1%. Foram fabricados 1,60 milhão de automóveis (decréscimo de 34,3%) e 295 mil comerciais leves (recuo de 16,7%).

“A indústria fez um grande esforço para atender a demanda, trabalhando aos finais de semana e suspendendo parte das férias coletivas, mas entra em 2021 com os estoques mais baixos de sua história, suficientes apenas para 12 dias de vendas”, ressaltou o presidente da Anfavea, Luiz Carlos Moraes.

A produção de 2,01 milhões de veículos encolheu 31,6%, deixando a indústria automobilística com uma ociosidade técnica de quase 3 milhões de unidades. No ranking global, deveremos ser superados pela Espanha (dados provisórios), caindo para a nona colocação.

Somente entre os veículos leves, a produção total em 2020 foi de 1,90 milhão de unidades, queda de 32,1%. Foram fabricados 1,60 milhão de automóveis (decréscimo de 34,3%) e 295 mil comerciais leves (recuo de 16,7%).

Projeções preliminares para 2021

A Anfavea divulgou suas projeções para 2021, com crescimento moderado sobre o ano anterior, ainda insuficiente para recuperar os patamares de 2019. A entidade prevê aumento de 15% no licenciamento de veículos e 25% na produção, índices insuficientes para a retomada a patamares de 2019, pré-pandemia.

“Nunca foi tão difícil projetar os resultados de um ano, pois temos uma neblina à nossa frente desde março, quando começou a pandemia”, explicou Luiz Carlos Moraes.

“Sabemos que uma imunização pela vacina será um processo demorado, que tomará quase todo o ano, impedindo uma retomada mais rápida da nossa economia. Some-se a isso a pressão de custos, as necessidades urgentes de reformas e surpresas desagradáveis como o aumento do ICMS paulista, e temos diante de nós um quadro que ainda inspira muita cautela nas nossas previsões”, avaliou o presidente da Anfavea.

Apesar do momento de alta volatilidade, mas com a expectativa de crescimento do PIB e com a esperada retomada da economia, a Fenabrave espera um retorno do crescimento das vendas de veículos para 2021. A entidade projeta alta de 16,6% para o setor.

“Esperamos poder recuperar, aos poucos, o mercado, mas ainda há incertezas e fatos que podem repercutir nas nossas projeções”, advertiu Alarico Assumpção Júnior.