Agosto registrou os melhores números desde o início da pandemia da covid-19, o que comprova que a crise mais aguda ficou delimitada ao segundo trimestre. Na comparação com julho, a produção de autoveículos se destacou (210,9 mil unidades), com crescimento de 23,6%, segundo levantamento divulgado pela Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea).
Os licenciamentos (183,4 mil) cresceram 5,1%. Porém, quando confrontados com os volumes de agosto do ano passado, esses três números registraram quedas superiores a 20%, o que indica um longo caminho de recuperação até os níveis pré-pandemia.
No acumulado dos primeiros oito meses, a comparação é ainda mais desfavorável. Os licenciamentos (1,166 milhão) recuaram 35% e a produção (1,110 milhão) despencou 44,8%, repetindo volumes similares aos de quase 20 anos atrás.
Considerando apenas os veículos leves, de janeiro a agosto foram licenciados 1,102 milhão de unidades, queda de 35,8% em comparação com o mesmo período do ano passado. Foram vendidos 914,0 mil automóveis (recuo de 37,3%) e 188,4 mil comerciais leves (decréscimo de 27,1%).
Quanto à produção, foram fabricados 1,049 milhão de veículos leves, queda de 45,2% em comparação aos primeiros oito meses de 2019. Foram produzidos 900,5 mil automóveis (-46,3%) e 149,0 mil comerciais leves (-37%).
“É como se perdêssemos três meses de vendas internas e quase quatro meses de produção”, analisa Luiz Carlos Moraes, presidente da Anfavea. “Se não fosse a pandemia, na metade de maio já teríamos chegado aos patamares atingidos nesse fechamento de agosto.”
“Se antes da pandemia nós já alertávamos para a falta de competitividade do nosso país, agora a situação é ainda mais urgente. O mercado global de veículos deve encolher de 91 milhões de unidades em 2019 para menos de 75 milhões em 2020, gerando uma ociosidade inédita na indústria global. Só atacando as causas do Custo Brasil é que teremos condições de evitar um encolhimento do setor automotivo brasileiro”, alerta Moraes.