O Latam Mobility Lab (LML), grupo de análise e opinião do IE Business School, divulgou algumas das reflexões que seus membros apresentaram em uma de suas reuniões.

O grupo afirma que espera compartilhar ideias e opiniões que permitam estabelecer um mapa de trabalho para melhorar a mobilidade nas megacidades da América Latina.

O documento, assinado por José Luis Criado, especialista em gestão de frotas e mobilidade com mais de 35 anos de experiência em escala global, e Ricardo Conesa, consultor do setor automotivo e senior advisor de Mobilidade no IE Business School, levanta as seguintes questões:

Qual é o custo para as megacidades da América Latina da falta de um modelo eficiente de mobilidade para a população?

Qual é o dano social para os habitantes da base da pirâmide dessas cidades?

Qual é o custo da ineficiência e insegurança na mobilidade da grande maioria dos habitantes?

Como calcular o retorno de investimentos privados e públicos necessários?

O que podemos fazer para que os governos e instituições internacionais sejam conscientes de que melhorar a mobilidade da população é absolutamente estratégico e é uma das formas mais eficazes de facilitar a prosperidade dos habitantes?”

Segundo os autores, a ineficácia da mobilidade nas grandes cidades da América Latina é um dos freios ao progresso, pois afeta a economia.

Concentrando-nos na base da pirâmide que, com variações entre cidades e países, somam cerca de dois terços do total da população, o tempo médio utilizado em deslocamento é de 4/5 horas diárias; e o custo chega a 30% da renda da pessoa. Além disso, há os fatores de insegurança e escassa confiabilidade dos serviços”, situa o texto.

Para essas pessoas, a “última milha” é, na maioria dos casos, a pé. “Nesta mobilidade pendular de entrada e saída da cidade, o conceito de ‘última milha’ é duplo. Ou seja, deveríamos falar de ‘primeira’ e de ‘última’ milha, desde o domicílio até onde passa o meio de transporte, em sua maioria informal, e desde onde esse transporte deixa você na cidade até o lugar de destino. Em dois desses trajetos, a segurança é o principal risco, principalmente para crianças e mulheres.”

Planificação

Ainda de acordo com os autores, as diversas iniciativas para melhorar a mobilidade, adaptadas de modelos de cidades europeias mais desenvolvidas, em geral, fracassaram.

A principal razão foi a falta de conhecimento e compreensão das verdadeiras necessidades dos usuários da base da pirâmide, simplesmente por não incluí-las na planificação e definição, ou em outras ocasiões por se concentrar na mobilidade de uma minoria mais privilegiada”, pontua o texto.

Não queremos minimizar a importância de aspectos como a poluição atmosférica, a transição para a eletricidade ou a micromobilidade; mas pensamos que só melhorando a mobilidade na base da pirâmide e o freio social que a situação atual implica se conseguirá um impacto real nas demais questões”, pondera.

Nas próximas reuniões do Latam Mobility Lab, os especialistas vão debater as possíveis formas de incluir todas as partes interessadas na identificação, desenho e implantação de soluções.