O licenciamento de veículos leves subiu 11,1% no acumulado do ano até maio, informou a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea).

Foram comercializados nos cinco primeiros meses do ano 1,03 milhão de veículos leves, sendo pouco mais de 884 mil automóveis, aumento de 11,3%, e 153 mil comerciais leves, acréscimo de 9,9% sobre o mesmo período de 2018.

Já a produção de veículos leves registrou crescimento de 5,2% de janeiro a maio deste ano em comparação com o mesmo período do ano passado. Foram produzidas 1,18 milhão de unidades, sendo 1,04 milhão de automóveis, aumento de 7,2% sobre 2018, e 141,4 mil comerciais leves, queda de 7,1%.

O presidente da Anfavea, Luiz Carlos Moraes, explicou que, apesar dos indicadores econômicos pouco animadores do Brasil, os bons números do setor automotivo no ano se devem a um longo processo de recuperação que se iniciou em 2017, após a queda superior a 40% no biênio 2015-2016, auge da crise.

“Nosso tombo foi bem maior que os 6,73% do PIB naqueles dois anos, por isso há muito o que recuperar para voltamos aos patamares de 2012. O mercado interno mantém bom ritmo de vendas, com alta de 12,5% no acumulado do ano”, disse.

Segundo Moraes, a produção só não acompanha esse patamar em função da expressiva queda das exportações para a Argentina.

“Felizmente, o mercado vem reagindo de forma constante, e deverá crescer ainda mais após a aprovação das reformas previdenciária e tributária”, acredita.

Burocracia

A Anfavea também apresentou esta semana dados que revelam a urgência de se promover uma profunda simplificação tributária e burocrática no Brasil.

De acordo com a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), 1,2% do faturamento industrial é gasto com mão de obra, software, serviços e custos legais para cálculos e processamentos de tributos – obviamente sem contar os custos dos impostos propriamente ditos.

A indústria brasileira gasta, anualmente, cerca de R$ 37 bilhões apenas com essas operações burocráticas, o que representou 0,6% do PIB nacional e 5,5% do PIB industrial em 2017.

Focando apenas no setor automotivo, a Anfavea calcula um gasto anual de R$ 2,3 bilhões só com esse custo burocrático-tributário, valor maior que o R$ 1,5 bilhão previsto com Pesquisa e Desenvolvimento no programa Rota 2030.

“Ou acabamos com esse sistema tributário ou ele acaba com o Brasil”, disse o presidente da Anfavea.

Moraes citou como exemplo o fluxo de importação do airbag, item obrigatório nos veículos nacionais, que demanda 15 passos burocráticos de requerimentos, o que pode demandar 50 dias de processamento.

Enquanto a média global para cálculos de impostos em empresas é de 231 homens/hora por ano, no Brasil a necessidade é de 2.507 homens/hora, de acordo com a Fiesp.

Outro dado que ilustra esse “manicômio burocrático”, segundo a Anfavea, é que, nestes 30 anos de Constituição Federal, cerca de 50 normas tributárias são editadas a cada dia útil.