Os licenciamentos de 167,4 mil unidades em fevereiro representaram queda de 16,7% sobre o mesmo mês do ano passado, e de 2,2% sobre janeiro deste ano, informou a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea). O acumulado de 394,5 mil do bimestre significa uma retração de 14,2%.

Em janeiro e fevereiro, foram comercializados 321 mil veículos leves, queda de 15,1% sobre o mesmo período de 2020. Desses, foram emplacados 258 mil automóveis, redução de 19%, e 62 mil comerciais leves, aumento de 6,7%, na mesma comparação.

E apesar de todos os esforços logísticos feitos pelas montadoras, a produção de veículos ainda não retomou aos níveis de antes da pandemia. Segundo o levantamento da Anfavea, fevereiro teve 197 mil unidades produzidas, 3,5% a menos do que no mesmo mês do ano passado e 1,3% abaixo de janeiro. Desde a crise de 2016 não havia um número tão baixo para o mês.

Considerando apenas veículos leves, foram produzidas 373 mil unidades no primeiro bimestre, recuo de 0,6% em relação ao mesmo período do ano passado. Foram fabricados 312 mil automóveis, queda de 7%, e 61 mil comerciais, aumento de 53,1%.

Na produção geral, o acumulado de 396,7 mil do bimestre é 0,2% maior que o de 2020, mas isso se deve à suspensão das férias coletivas em janeiro deste ano por parte de várias empresas.

“Muitas das nossas montadoras trabalharam até durante o Carnaval para tentar recompor os baixos estoques e compensar alguns atrasos e paradas por falta de insumos, mas ainda há muita dificuldade de retomar o ritmo normal de funcionamento das fábricas”, explicou o presidente da Anfavea, Luiz Carlos Moraes.

Unidos pela Vacina

Para o presidente da Anfavea, o primeiro bimestre não serve de termômetro para o desempenho do ano, pois é geralmente o que tem menor ritmo de negócios, mas apresenta alguns elementos que aumentam a preocupação do setor automotivo.

“Temos duas crises se agravando. A sanitária é a que mais preocupa, pois vem ceifando cada vez mais vidas de brasileiros. A crise conjuntural, consequência da primeira, vem desorganizando toda a cadeia global de fornecimento e provocando gargalos e paradas cada vez maiores nas fábricas”, avaliou Morares.

“A tudo isso se soma a fragilidade estrutural do ambiente de negócios no Brasil, que reduz nossa competitividade em nível internacional, e que não vem sendo devidamente atacada pelas várias esferas do poder público. Tudo isso gera um horizonte absolutamente nebuloso para o planejamento estratégico das empresas, e isso vale para todos os setores da economia.”

Preocupada com o ritmo lento da vacinação no Brasil e com os reflexos disso na saúde da população e na economia do País, a Anfavea aderiu em fevereiro ao movimento apartidário Unidos pela Vacina, criado pelo Grupo Mulheres do Brasil, liderado pela empresária Luiza Helena Trajano.

Com a participação da sociedade civil, entidades, empresas, associações e ONGs, o Unidos Pela Vacina tem como meta ajudar no que for possível para que toda a população seja vacinada até o fim de setembro.
As associadas da Anfavea estão em contato com várias prefeituras para facilitar apoio logístico de transporte e armazenagem, e também para oferecer as estruturas médicas das fábricas (enfermarias e profissionais de saúde) para campanhas de vacinação.